Un momento que se repite una y otra vez, un reencuentro con lo que fue y pide pasaje para todavía ser. Un territorio sutil y resistente que existe en permanente recomposición. Una comunidad que permanece en el intento y practica el encantamiento como acto de ternura, invención y reconexión. Qué hacemos con los restos? Dar viento del Sur.
CREACIÓN Y PERFORMANCE Carolina Canteli, Tamara Catharino, Lucas Damiani, Bibi Dória, Andrei Bessa e Mariana Catalina Iris.
COMPOSICIÓN SONORA Bobby Brim
ACOMPAÑAMIENTO ARTÍSTICO Y COLABORACIÓN Lucas Damiani
DIRECCIÓN Mariana Catalina Iris
VESTUARIO Natalia Castañola
PRODUCCIÓN Forum Dança en el marco de PACAP 6
REGISTROS FOTOGRÁFICOS Joana Linda
CIRCULACIÓN TBA-Teatro do Bairro Alto ( PACAP 6, 2023, PT)
TEXTO CURATORIAL POR ALEX CASSAL
"Um grupo de performers num espaço delimitado por espectadores e por ventoinhas ligadas. Uma paisagem quente e em constante mutação, como se as rajadas de vento a mudar de direcção agissem também sobre os corpos. Performers e ventoinhas aproximam-se e afastam-se numa interminável dança de acasalamento de pássaros excitados que passam horas em preliminares e apenas segundos no acto em si, trocam parceiros e coreografias, cruzam olhares e trajectórias, enredam e desenredam os fios que mantém o vento a soprar. Os performers estão a dançar para as ventoinhas ou para nós? Trata-se de um peep show ou de um baile de província? Um comentário sobre as políticas afectivas da América Latina ou sobre o aquecimento global? Seja o que for, é picante. Ouve-se uma velha canção da Rita Lee cantada langorosamente com a boca próxima às pás a girar de uma ventoinha, distorcendo a voz num registo metálico. A inspirada composição sonora de Bobby Brim mistura ritmos latinos e batidas electrónicas, aquece progressivamente o caldeirão, vamos aos poucos mergulhando naquela sopa sonora e cinética que amolece a carne nos ossos. Afinal, os performers se congregam numa banda, num bando, num bloco que expande o espaço delimitado, colocando também nós espectadores dentro do círculo vibrante, as luzes são substituídas por lanternas coloridas piscantes, roupas vão sendo abandonadas, corpos suados deslizam a centímetros das cadeiras onde estamos, o ritmo atinge um ápice que parece insustentável e assim vai permanecer por muito tempo, pessoas como pás de moinho a receber massas de ar para produzir energia, calor, humidade, afecto. Sim, a peça de Mariana Catalina Iris gira em torno dos afectos com a força irresistível de um fenómeno climático, a puxar-nos para o centro onde tudo se dissolve em pequenos fragmentos brilhantes levados pelo vento."